Sobre Adriana

Entrevista com Adriana Gaeta Bernardi, designer gráfica da França “A primeira grande lição foi dar tempo ao tempo, para organizar o básico e aceitar que não poderia me dedicar com o mesma intensidade ao trabalho, no início.” Adriana Gaeta Bernardi viu a oportunidade de empreender em sua área quando o marido recebeu uma proposta de emprega que seria primordial pra vida deles fora do Brasil.
A entrevista completa está aqui!

Adriana Gaeta Bernardi

DESIGNER GRÁFICA E ILUSTRADORA

https://www.adrianabernardi.com/

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No exterior
MINHA HISTÓRIA

Fale um pouco sobre você.

Meu nome é Adriana Gaeta Bernardi e sou de São Paulo. Vivo na França com a minha família, desde abril de 2015, sendo que os primeiros três meses foram em Paris e depois nos mudamos para Lyon.

E o que você fazia antes de vir morar no exterior?

Sou designer gráfica com 20 anos de experiência no mercado. Fiz faculdade de Design gráfico na FAAP e uma pós graduação em História da Arte. Além disso, fiz cursos de extensão na FGV (SP) e nos Estados Unidos (NY). Tive a oportunidade de trabalhar em agências e escritórios de design por muitos anos, sendo que no último exerci o cargo de diretora de criação, responsável também por projetos globais, para grandes multinacionais. Nos últimos 4 anos em que morei no Brasil, já estava trabalhando como freelancer, e foi uma decisão importante que tomei buscando um equilíbrio melhor entre a minha vida profissional e pessoal.
Meu marido é brasileiro e temos um filho de 5 anos. Meus pais, irmãos, sogros, sobrinhos, avó, tios e primos vivem em São Paulo. 

E por que escolheu viver justamente em Londres? 

Londres foi minha primeira opção. Eu sentia que era hora de crescer profissionalmente e falar inglês era uma meta, um sonho que eu tinha desde pequena.
Como sempre sonhei em ser uma viajante inveterada, escolhi Londres para estudar a língua e por estar no centro do mundo, assim viajar seria mais fácil pela distância entre os países. Foi em Londres também que comecei o meu blog de viagens, chamado “O mundo que eu vi”. Tinha vontade de morar fora e conviver com diversas culturas, em um mundo mais igualitário, com mil coisas pra fazer. Vim pra Londres em busca de oportunidades profissionais. 

Como decidiriam sair do Brasil e tentar a vida na França?

​Eu e meu marido sempre tivemos vontade de morar fora e ter esta experiência de vida. Ter contato com outras culturas, a busca por mais qualidade de vida e a questão da segurança foram muito importantes, especialmente quando pensamos na criação de nosso filho e o que podemos proporcionar à ele. Esta decisão foi tomada quando nosso filho era bebê, e meu marido foi aceito para fazer parte de uma formação de cozinha profissional no Instituto Alain Ducasse, em Paris. Meu marido foi antes e eu esperei até o nosso filho completar 1 ano para embarcarmos para Paris.

O que mais te desafiou, e que obstáculos encontrou ao longo de sua carreira? Precisou abrir mão de muita coisa?

Foi uma mudança muito grande, na verdade muitos desafios ao mesmo tempo. Mãe de primeira viagem, filho pequeno, família longe e chegando em um pais sem falar o francês…. mas com muitos sonhos e muita vontade de fazer dar certo! A primeira grande lição foi dar tempo ao tempo, para organizar o básico e aceitar que não poderia me dedicar com o mesma intensidade ao trabalho, no início. Foi um processo lento de descobrir como as mães se organizavam, a questão da creche e lidar com a falta de vaga, o pediatra e a adaptação de forma geral. Aos poucos fomos nos organizando, entendendo a enorme burocracia, conhecendo melhor a cultura, a cidade, o idioma, o dia-a-dia… e lidando com a falta da família e dos amigos por perto. Profissionalmente também foi um processo de muita pesquisa e continua sendo um aprendizado diário. 

E o que você faz hoje na França?

Bem, eu continuo trabalhando como designer gráfica e acrescentei a ilustração às minhas competências (após uma formação internacional). Voltar a empreender aconteceu naturalmente, pois eu já era empreendedora no Brasil. E também, eu já tinha a intenção de retomar o meu trabalho quando alguns clientes do Brasil me contactaram para novos projetos. Isto me ajudou a ter a confiança para abrir a minha empresa aqui e me deu a certeza de que a distância não seria um problema. Minha especialidade é o design gráfico aliado à estratégia, ou seja todo o projeto se inicia com um briefing, pesquisa, análise e reflexão para propor uma solução. Trabalho com a criação de logos, identidades visuais, embalagens, materiais de divulgação e vendas, apresentações corporativas, ilustrações, interfaces gráficas para sites entre outros. Meus clientes são de diferentes setores e independente do tamanho de suas empresas, ou se estão começando, percebem e sabem a importância e o valor do design estratégico para uma marca existir, se diferenciar e criar uma experiência única com o seu cliente. A idéia de trabalhar sem fronteiras (por enquanto com o Brasil e a França), ter flexibilidade de tempo e diferentes tipos de projetos e clientes, me inspira. 

​E como foi o início da sua vida no exterior como empreendedora? Muitas barreiras encontrou? Seus maiores desafios?

Foram várias barreiras, em termos de burocracia, idioma, entender as leis, a parte contábil etc. Foi preciso muita pesquisa. Considero que mesmo mantendo a minha área de atuação, foi um momento de me reinventar, em relação ao que fazia em São Paulo, afinal, como empreendedora, eu já estava adaptada à uma série de procedimentos lá. Mas o fato de trabalhar diretamente para o Brasil no início, me trouxe uma passagem mais “leve”, pois já conhecia os clientes e a dinâmica. Nunca pensei em desistir porque amo o que eu faço. Ainda não atingi o que considero o ideal para o meu negócio, mas tenho me dedicado e trabalhado muito para aumentar e fortalecer a minha rede de contatos e projetos na França, apresentar o meu trabalho, buscar visibilidade e novos clientes.

Como você vê a recepção do povo nativo com relação a brasileira empreendedora?

Não posso dizer que senti preconceito, mas é verdade que os melhores contatos que tive, e a abertura para apresentar meu trabalho em agências e clientes, foram à partir de indicações de profissionais franceses. Outro ponto que gostaria de ressaltar é que, aqui também, como no Brasil, nem todos valorizam a profissão. Uma vez que você vive do seu trabalho, que investiu seu tempo, formação, dinheiro, energia na sua profissão, é completamente surreal (e em qualquer profissão) receber pedidos para fazer projetos de graça ou com orçamentos muito baixos, que não seguem um parâmetro real. Mas esta questão é antiga e vai continuar existindo e sendo discutida… O que realmente importa é continuar fazendo o meu trabalho de forma profissional e com determinação. E o melhor reconhecimento que posso ter são os clientes que continuam trabalhando comigo há muitos anos. 

Ser mãe e trabalhar: como consegue conciliar?

O grande dilema… conciliar a maternidade e o trabalho. Quando comecei a trabalhar como freelancer, no Brasil ainda, eu nem estava grávida, mas já tinha uma questão importante e interna que precisava escutar. E respeitar. Foi uma decisão consciente, em busca de um equilíbrio pessoal e profissional e que começou a preparar as bases para a relação de qualidade que posso ter com o meu filho hoje. Isto para mim é fundamental e teve um fator importante na minha decisão de continuar a empreender quando nos mudamos para a França. Ter uma rotina flexível é importante e me ajuda a conciliar os diferentes papéis.
O empreendedorismo é um longo caminho, é preciso muito trabalho, ter muita disciplina, determinação e muitas vezes é normal se sentir um pouco isolado. Ter amor pela profissão e acreditar, ter muita fé… na minha opinião são fundamentais e ajudam bastante em momentos de oscilação e incerteza. 

​Pra concluir, que dicas você deixaria para aquelas mulheres que tem um sonho e desejo de empreender, mas não sabem por onde começar?

Primeiro, descubra o que você quer fazer, o seu propósito e o que te motiva. Pesquise sobre o mercado, faça um plano, e se empenhe em oferecer o melhor. O idioma pode ser uma barreira e não te deixar confortável para se expressar ou negociar como gostaria, por isso continue estudando e se aprimorando para ganhar confiança. Empreender é um ato de coragem. Seja sempre profissional, motivada e busque o apoio de pessoas que estão passando (ou passaram) pelo mesmo processo. Você vai ficar surpresa ao descobrir que existem muitas redes de apoio e pessoas generosas que estão dispostas a compartilhar e ajudar…. e isto também faz toda a diferença no caminho.

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