Sobre Ana

Apresentamos aqui no Projeto Brempex mais uma história de inspiração e que vai servir de motivação a muitas mulheres brasileiras no exterior que buscam empreender e se reinventar. Conheça Ana Freccia, catarinense que vive na Inglaterra.

Ana Freccia

JORNALISTA E PROPRIETÁRIA DA YOURHOUSELONDON

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No exterior
MINHA HISTÓRIA

Fale um pouco sobre você?

Olá, meu nome é Ana Freccia e sou de Florianópolis. Tenho 39 anos e moro no exterior há cerca de 10 anos. Meu sonho sempre foi morar fora e desde novinha, quando comecei a trabalhar, comecei a fazer planos de estudar e a realizar esse sonho.
Depois de me formar e terminar uma pós-graduação, vendi meu carro, juntei minhas economias e mudei para Londres para começar uma nova etapa na minha vida. Depois de morar em Londres pela primeira vez, passei um tempo na Itália, voltei para o Brasil por quatro anos, fui embora pela segunda vez, mas para a Austrália e acabei retornando para Londres em 2013, onde estou até hoje.

E o que você fazia antes de vir morar no exterior?

Me formei em Jornalismo, mas comecei minha carreira como estagiária em uma das maiores agências de publicidade de SC. Por já estar no meio e a oportunidade surgir, acabei sendo contratada para trabalhar com publicidade, isso durou quase três anos.
Ao terminar a universidade de Jornalismo, achei que seria bom ter experiência na área, e então fui trabalhar como assessora de imprensa. Foram bons anos e de muito aprendizado. Trabalhar em um ambiente com tantas tarefas e tantos departamentos como uma agência de propaganda foi praticamente como fazer uma segunda universidade.
Com essa experiência, de trabalhar tanto do lado da agência como também do cliente e entender todos esses processos, sonhar com o meu próprio negócio foi meio caminho andado. Ainda trabalhei em uma multinacional americana e em uma editora. Cada trabalho foi muito diferente e cada empresa um grande aprendizado.
Minha família está toda no Brasil e dos meus irmãos eu sou a única “ovelha desgarrada”. Meu pai sempre teve comércio e minha mãe é bancária, e passei várias horas da minha infância entre um negócio próprio e máquinas de escrever enquanto esperava minha mãe sair do trabalho.

E por que escolheu viver justamente em Londres? 

Londres foi minha primeira opção. Eu sentia que era hora de crescer profissionalmente e falar inglês era uma meta, um sonho que eu tinha desde pequena.
Como sempre sonhei em ser uma viajante inveterada, escolhi Londres para estudar a língua e por estar no centro do mundo, assim viajar seria mais fácil pela distância entre os países. Foi em Londres também que comecei o meu blog de viagens, chamado “O mundo que eu vi”. Tinha vontade de morar fora e conviver com diversas culturas, em um mundo mais igualitário, com mil coisas pra fazer. Vim pra Londres em busca de oportunidades profissionais. 

Com tanto tempo vivendo no exterior, o que mais te desafiou, e que obstáculos encontrou ao longo de sua carreira? Precisou abrir mão de muita coisa? 

​Acho que, quando a gente muda de país, passamos a ter desafios diários. Cada dia é um novo aprendizado, desde a chegada, seja pela língua, pelo choque de cultura, pela insegurança ao lidar com novas expressões e gírias.
E principalmente conseguir um emprego. Eu levei tempo para realmente conseguir um emprego em que me sentisse totalmente segura e confortável em mostrar aquilo que eu realmente sabia. Por ter tido muitas experiências em diferentes áreas e nunca ter seguido uma “carreira consistente” de muitos anos em um mesmo mercado, achei difícil focar em uma indústria específica e aplicar para os trabalhos certos.

E o que você faz hoje? 

Em 2013, quanto retornei para Londres, fui trabalhar em uma startup de viagem. Consegui unir toda a experiência que eu tinha viajando e escrevendo para o blog, para revistas e jornais do Brasil com minha carreira em comunicação e marketing. 
Depois de quase dois anos, a startup não decolou e meu ex-chefe acabou me fazendo uma proposta para começar um novo negócio na área de propriedades. Em 2015 fundei a YourHouseLondon, uma empresa que aluga quartos para estudantes e jovens profissionais. Hoje, gerenciamos mais de 200 studios e 20 propriedades em diversas áreas de Londres. 

Como foi o início da sua vida como empreendedora?

Acredito que entender as leis e o funcionamento de um país sejam as coisas mais difíceis para quem começa um negócio no exterior. Eu sempre morei em casa compartilhada em todos os países em que morei, e entendia a dinâmica de dividir, compartilhar e ser moradora, mas não de estar do outro lado, ter que revisar contratos, entender as leis, saber o que pode e não pode ser feito. 
Li muito, pesquisei muito, participei de muitos eventos da área e entrei em contato com agentes e donos de casa pelo LinkedIn. Pedi conselho mesmo, principalmente financeiro. Me inspirei em empresas grandes e empresas éticas. Morar no exterior me transformou a partir do momento em que pisei fora do aeroporto. Cheguei em um dia chuvoso, o frio de setembro, e ver aquela cidade gigante na minha frente, sabendo que a partir daquele momento eu teria que fazer tudo por mim mesma, mal falava a língua. Uma coisa que eu sempre tive e ainda continuo é com vontade de aprender! Quando a gente está aberto a aprender, não há empecilho que não seja resolvido. 

Como você vê a recepção do povo nativo com relação a brasileira empreendedora?

Londres é uma cidade muito grande e de muitas oportunidades. Aqui há espaço para todos mas não vejo união nos negócios brasileiros. Acho que há muito potencial para quem quer iniciar qualquer negócio, seja migrante ou não, mas o Brasil não é um país expressivo em termos de negócios. 
Sempre há um participante ou outro nas feiras e eventos em que participo, mas ainda somos muito pequenos se comparados a outros países latinos. Em 2018, passei a ser a representante do grupo Conexão Mulher Empreendedora, que nasceu em Lisboa e já organizou eventos sobre empreendedorismo em Londres, no Brasil e em Portugal. Somos muitas mulheres cheias de vontade de fazer acontecer e partimos do Brasil para sermos melhores e para fazermos nossos sonhos saírem do papel. 

Que dicas você dá para aquelas mulheres que tem um sonho e desejo de empreender e não sabem por onde começar? 

Não somente nos eventos da Conexão, mas o ano inteiro dou consultoria para mulheres que querem iniciar seus negócios. Se eu fosse dar um conselho, eu diria apenas: comece! Coloque todas as suas ideias em um papel, pesquise muito, participe de eventos. Saia de casa e faça um caminho diferente, ande por novas ruas e conheça novos espaços. Há muitos sinais ao nosso redor, há muitas coisas que nos inspiram e que estão ali. Os negócios começam muito mais de dentro da gente do que de fora. Depois basta desenhar o seu caminho. 

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