Sobre Carleara

Apresentamos aqui no Projeto Brempex mais uma história de inspiração e que vai servir de motivação a muitas mulheres brasileiras no exterior que buscam empreender e se reinventar. Conheça Carleara Weiss, carioca que vive nos Estados Unidos.

Carleara Weiss

CIENTISTA, ENFERMEIRA E FUNDADORA DA BRASCON

http://www.brasconference.org/

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No exterior
MINHA HISTÓRIA

Fale um pouco sobre você. 

Oi! Meu nome é Carleara Weiss, tenho 36 anos. Sou de Miracema-RJ e há seis anos moro em Buffalo, NY.

E o que fazia antes de vir morar no exterior?

Sou Cientista e Enfermeira, Doutora com foco em medicina do sono e cronobiologia. Conclui o Doutorado na State University of New York em Buffalo em 2018.
No Brasil, conclui a Graduação em Enfermagem (2005) e Mestrado em Ciências do Cuidado em Saúde na Universidade Federal Fluminense (UFF) (2011). Atuei como Enfermeira Médico-Cirúrgica com pacientes adultos e idosos com câncer e doenças degenerativas, tais como Alzheimer e demência. Trabalhei em hospitais públicos e privados, acompanhei pacientes domiciliares e oferecia consultoria. Além disso, atuei como professora para alunos de graduação em enfermagem (desde 2007, na UFF e na FASAP) e estava envolvida com pesquisa desde a graduação. Atuei como professora voluntária no curso de formação de cuidadores de idosos da Associação Brasileira de Alzheimer.

​Fale um pouco sobre família.

​Sou casada com um americano e por enquanto não temos filhos. Minha família mora no Brasil, mas sigo em contato direto com eles. Já a família do meu marido mora aqui nos EUA. Meus sogros moram em Buffalo, mas temos família espalhada pelo país, o que é sempre um bom motivo para passear e visitar.

Por que escolheu o país que vive hoje para morar, por que decidiu sair do Brasil?

Decidi cursar o doutorado nos EUA para imersão total na pesquisa. Minha formação na UFF, uma das melhores universidades do Brasil, em nada deixa a desejar à qualquer outra universidade. Temos pesquisadores excelentes no Brasil, porém o financiamento e estrutura para pesquisa ainda são limitados. Esses problemas são menos frequentes nos EUA e Europa, por isso estudar fora foi tão valioso.

O programa de doutorado na SUNY Buffalo é excelente e o Roswell Park Cancer Institute, aonde fiz minha pesquisa, é um dos 50 melhores dos EUA. Principalmente, a possibilidade de implementação dos resultados de pesquisa na prática clínica pesou na minha decisão. Além disso, estar em uma universidade com alto impacto ajuda na globalização do conhecimento. Mantenho contato com meus colegas e com alunos no Brasil, colaboro com pesquisa, publicação de artigos e co-orientação de alunos.

​O que voce faz hoje no país onde vive ?

Hoje me dedico à pesquisa e ao empodeiramento da comunidade científica brasileira. Como cientista, meu objetivo principal é melhorar a qualidade de vida dos pacientes oncológicos através de intervenções da medicina do sono e cronobiologia. Por exemplo, o câncer de pulmão tem uma alta taxa de mortalidade nos EUA e no Brasil, além de uma curta sobrevida (entre 2 a 5 anos após o diagnóstico inicial). O tratamento do câncer de pulmão é agressivo e gera efeitos colaterais persistentes. Os principais problemas relatados são fadiga, distúrbios do sono, depressão e dor. Esses efeitos colaterais do tratamento duram entre 2 e 5 anos. Ou seja, o paciente é tratado do câncer e passa o resto de sua vida sofrendo. Isso é um problema gravíssimo! Pensando nisso, durante o doutorado desenvolvi um tratamento para pacientes que sofrem com efeitos colaterais após a conclusão das sessões de quimio ou radioterapia. Utilizei os princípios da cronobiologia e medicina do sono, empregando a fototerapia para estes pacientes e obtive resultados excelentes. Agora, como cientista e postdoctoral fellow estou expandindo essa pesquisa para outros tipos de câncer e outros estágios do tratamento e remissão. Conclui o doutorado em janeiro de 2018 e fui contratada com cientista e postdoctoral fellow pela universidade na mesma semana. Meu projeto atual é financiado pelo National Institutes of Health.
O empreendedorismo entrou na minha vida de forma sutil e hoje é o centro da minha motivação. Sou apaixonada pelo que faço como cientista e enfermeira. Entendo que cheguei até aqui com muita resiliência, e com o apoio de ótimos mentores. Porém, quando olho ao redor vejo poucas pessoas parecidas comigo (mulheres, negras, imigrantes)… vejo poucos brasileiros. Os brasileiros estão espallhados pelo mundo fazendo trabalhos fantásticos, porém poucos deles são reconhecidos. Trabalho para construir pontes entres os cientistas e estudantes, entre academia, indústria e a comunidade em geral. Desde 2014 me dedico à BRASCON . Tudo começou como um sonho de estudantes de doutorado (minhas queridas Gisele Passalacqua, Vanessa Dias e Camila Zanete, seguidas pela Glaucia Ribeiro da LASPAU).
Nossa intenção era criar uma conferência aonde estudandes de pós-graduação brasileiros nos EUA pudessem se reunir, compartilhar suas pesquisas e aprender com a experiência de cientistas brasileiros renomados. Esse sonho expandiu e hoje somos um time e graças a esse time a BRASCON existe. Formamos uma rede de networking para divulgação científica, informação sobre possibilidades de funding, vagas de estágio e emprego na academia e na indústria. Temos participantes vindos do Brasil, dos EUA e Europa. Como resultato, pesquisas e parcerias se desenvolveram graças a participação na BRASCON, sem contar os estudantes do ensino médio que estão se intessando por pesquisa com impacto social, graças a BRASCON. A primeira edição da BRASCON ocorreu em março de 2016 em Harvard, a segunda na University of Southern California (Los Angeles) em março de 2017, e a terceira a terceia na Ohio University (Columbus) em junho 2018.
Hoje a BRASCON está em fase de transição. É um grande desafio reorganizar a proposta, sem perder a identidade. Entendo que precisamos nos adaptar para atender uma nova demanda desde a formação do cientista até a sua inserção no mercado de trabalho e na sociedade.
Além da dedicação ao cientista brasileiro, desde 2017 faço parte do comitê educacional da Sleep Research Society promovendo a colaboração entre pesquisadores americanos e estrangeiros. Essa “globalização” científica é fundamental para crescimento mútuo. De uma certa forma, trouxe minha experiência da BRASCON para uma comunidade científica americana.

Como foi o inicio da sua vida no exterior como empreendedora, que barreiras vc encontrou, que expectativas vc tinha e que tiveram que ser adaptadas, seus maiores desafios?

Os maiores desafios são a adaptação cultural, a saudade de casa, o preconceito e encontrar tempo para vida pessoal e profissional. O padrão de trabalho nos EUA é extremamente competitivo e focado na produtividade. Muitas vezes o ambiente de trabalho não favorece uma boa harmonização entre vida pessoal e profissional. Isso afeta negativamente a saúde mental dos jovens cientistas. A melhor forma de se adaptar é buscar ajuda de profissionais, fazer terapia, manter uma dieta saudável e fazer atividade física.
Na BRASCON, além do foco na ciência e inovação, temos a possibilidade de conhecer a pessoa por trás do cientista. Os palestrantes compartilham suas experiências pessoas e como superaram problemas. Os participantes tornam-se amigos e isso também ajuda na saúde mental.

Como o serviço oferecido ou produto é visto no mercado internacional, como é ter seu proprio negocio no exterior.

A BRASCON tem alcançado reconhecimento no Brasil e nos EUA. O público em geral reconhece o papel do cientista para a transformação social. Nos EUA, existem outras iniciativas como a nossa que favorecem minorias, apoiam estudantes latinos e imigrantes de forma geral. Também existem outras associações de brasileiros nos EUA e Europa. Procuramos colaborar com eles sempre que possível, pois nosso objetivo é o mesmo: empodeirar o cientista brasileiro.

Que conselho vc daria as futuras empreendedoras sobre a area em que atua, sobre como é empreender no exterior?

Acredito que duas coisas são essenciais. Primeiro, ame o que você faz. Pode parecer clichê, mas se você não ama o que faz, se essa não é sua “missão” ou seu “chamado” , a jornada será mais pesada. Virar noite trabalhando não é legal. Inúmeras reuniões por dia, reunião aos sábados, domingos, feriados, a noite…. nada disso é legal, mas é necessário, principalmente no começo. Então, se não é sua paixão, você irá desistir quando tiver que abrir mão do seu tempo livre.
Segundo, tenha um time com múltiplas habilidades e tenha mentores com formação em negócios para orientar seus projetos. Ninguém consegue fazer nada sozinho, nem tem habilidade para ser contador, designer, relações públicas, editor e palestrante ao mesmo tempo. É preciso trabalhar em equipe. Um time forte é a chave para um bom empreendimento.

O que vc gostaria de ver melhorado no setor em que atua no exterior ?

​Esbarramos em muitas burocracias por sermos imigrantes. Algumas oportunidades não estão disponiveis para expatriados. Novamente, trabalhar com um time e ter parceiros ajuda muito nesse quesito.

Como vc ve a recepção do povo nativo com relação a brasileira empreendedora?

A recepção dos americanos é sempre muito boa. O conceito de empodeiramento da comunidade específica e formação de networking é algo familiar para os americanos. A reação é sempre positiva e cada vez mais, temos americanos se engajando e participando na BRASCON.

Obrigada pela oportunidade de falar da BRASCON! Fica aqui o meu agradecimento ao time da BRASCON: Pedro Tonhozi, Sara Dumit, Cecília Chagas, Valdir Barth, Giovanna Oliveira e James Weiss.

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