Sobre Fatima

Apresentamos aqui no Projeto Brempex mais uma história de inspiração e que vai servir de motivação a muitas mulheres brasileiras no exterior que buscam empreender e se reinventar. Conheça Fatima Nascimento 

que vive na Alemanha.

Fátima Nascimento

Empreendedora na área de educação

https://www.fatimanascimento.de/

No exterior
MINHA HISTÓRIA

Fale um pouco sobre você.

Primeiro, gostaria de agradecer pelo convite, muito obrigada. Estou muito feliz de estar aqui com vocês neste Projeto Brempex (Brasileiras Empreendedoras no Exterior). Me chamo Fatima Nascimento. Sou casada, tenho duas filhas e moro na cidade de Munique na Alemanha desde 1995.
Nasci em Salvador – Bahia no Alto das Pombas, fronteira com o Calabar, numa fazenda de um casal português, dona Maria e seu José, que tinham várias casas e alugavam-nas. Eu vivia lá com minha mãe e meus 3 irmãos. Venho de uma família humilde. Minha mãe foi uma mulher muito forte que me ensinou muitas coisas na vida, que trago até hoje no meu coração.
Eu vivo em Munique, na Alemanha, há 25 anos. Cheguei num dia de junho de 1995 com uma mala cheia de sonhos. Sou educadora (Erzieherin) formada e reconhecida pelo estado da Baviera, região onde vivo.

O que fazia antes de vir morar no exterior?

Eu concluí o meu 2. Grau (Técnico de Administração). Depois tentei o vestibular para Ciências Sociais duas vezes, mas não consegui entrar na Universidade. Trabalhei como secretária em um escritório em Salvador, em uma escolinha e depois trabalhei em um instituto de Pesquisa e Análise, como entrevistadora.

Conheci meu marido em Munique e com ele fazemos uma família com duas filhas, uma tem 22 anos e termina no próximo semestre seu curso superior de Matemática na Universidade de Berlim, e a outra tem de 18 anos e se prepara para o Abitur.

Por que a Alemanha para morar?

Minha vida em Salvador não foi muito fácil, trabalhava muito e nunca conseguia ter o suficiente para ajudar minha mãe. Morei até os 25 anos com minha mãe.
Fiz um curso de alemão em Salvador e lá conheci uma família que me convidou para ser Au-pair em Frankfurt. Encontrei nesta oportunidade uma chance de conhecer outro país e ainda ganhar dinheiro. Infelizmente não consegui receber o visto para trabalhar como Au-pair, pois na época em que dei entrada no meu visto iria fazer no mesmo ano, 25 anos. No Consulado Honorário de Salvador alegaram que Au-pair seria até os 24 anos. Fiquei muito triste.
Então, um professor de alemão que trabalhava na escola ficou sabendo de minha história e decepção, propôs-me um trabalho na Alemanha. Este seria fazer parte de um grupo de jovens de várias partes do mundo que iriam ajudar a construir o primeiro albergue da juventude orgânico e ecológico da Alemanha. Eu teria hospedagem, alimentação e 400 Marcos por mês. Aceitei na hora, achei que ficaria rica em um ano e assim poderia ajudar minha mãe. Sem saber que hospedagem seria, na realidade, dividir o quarto com outros jovens de vários países (USA, Canadá, Austrália e Alemanha e Brasil) e a alimentação era apenas o café da manhã. O custo do meu curso de alemão teria que ser pago do meu próprio “salário”.
Neste trabalho fiz de tudo um pouco: trabalhei na cozinha, levantei paredes (trabalhei na construção), cortei cabelo de outros jovens… e no final, quando o albergue ficou pronto para cliente, eles ainda abriram um “Kinderbetreuung” no próprio albergue e eu lá trabalhei também assistente de educação infantil. Em Salvador já havia feito o mesmo trabalho. Trabalhei durante 8 anos neste albergue.

Que reviravolta, ne? E hoje, o que você faz? Em que área atua?

Quando deixei de trabalhar no albergue comecei a fazer cursos profissionalizantes na área pedagógica. Primeiro fiz um curso profissionalizante de assistente de educadora (Kinderpflegerin), mas como queria continuar o trabalho com crianças, como educadora infantil e não apenas como assistente de educadora, voltei a frequentar o 2.grau (Realschule) noturno. Durante o dia eu trabalhava meio período enquanto minhas filhas estavam na escola (Kindergarten). À noite, eu ia estudar enquanto as meninas ficavam com o pai. Isso se repetiu por 3 anos. Quando recebi meu diploma de educadora infantil, pude me inscrever pra a faculdade na área social (Städtische Fachakademie für Sozialpädagogik München), também um curso noturno durante 4 anos. Concluí o curso e hoje sou uma educadora social infanto-juvenil. Sinto-me muito feliz e realizada por ter conseguindo concluir meus estudos por aqui.

E o empreendedorismo na sua vida, como surgiu? Muitas barreiras e dificuldades?

As barreiras que encontrei por aqui foram a língua e a solidão. Mesmo tendo um marido e as filhas por perto, faltou a presença da minha mãe e da família no Brasil.
Enquanto frequentava meus estudos aqui em Munique, surgiu a ideia de lançar meus livros. Desde a fase da adolescência eu já escrevia e sonhava em escrever um livro. Tudo começou com os conhecidos “diários,” até surgirem os primeiros poemas. Lancei meu primeiro livro “Die Seerose Alba” escrito em alemão em 2013. A ilustração foi feita em conjunto com a minha filha caçula.
Este livro foi uma produção independente que deu origem à editora “FAFALAG”.
Até hoje tenho quatro livros infantis escritos: “Die Seerose Alba” (“Alba, a vitória-régia”), “Onde está a Magia do Natal?”, “Gregor und das Ei” (“Gregório e o Ovo”) e um livro de poemas, “Minha Baianidade Nagô”. A ideia de criar uma editora independente partiu da necessidade de lançar meus próprios livros sem ter que mandar manuscritos para outras editoras e trabalhar os meus livros de forma individual. Isso traz em si uma demanda de trabalho muito grande que exige muita dedicação e colaboração de profissionais autônomos que prestam serviço especializado à editora. Sem contar que trabalho num Kindergarten 32 horas e meia por semana e nos fins de semanas e feriados estou geralmente fazendo a divulgação do meu trabalho editorial através de leituras em várias instituições que têm o português como língua de herança na Alemanha e outros países. Publiquei também pela minha editora uma coletânea de textos do grupo Mulherio das Letras Europa “Outono Literário” em 2018. Em breve estarei fazendo a publicação do projeto da Farah Serra que é a “Coletânea Reedificações-Histórias” de mulheres brasileiras que se reinventaram pelo mundo”. Já participei de três Feiras de livros na Europa: Fiera do libro Turin, Frankfurt Buchmesse, Bologna Children´s Book Fair.

Que conselho/dicas daria às futuras empreendedoras sobre a área da Educação e como é empreender no exterior?

Olha, pra se conseguir qualquer coisa tem que ter ação, sair da situação de conforto, aprender o novo, trabalhar e agir. É muito importante o empreendedor buscar uma capacitação em sua área de atividade e ficar atento às normas e regulamentos locais, pois o “jeitinho brasileiro” não tem vez na Alemanha. Só assim vamos conseguir tudo que desejamos.
Como autora, sou muito bem recebida pelos alemães e também brasileiros quando faço as leituras e divulgação dos meus livros. Os alemães em geral acham muito positivo que eu traga um pouco da cultura brasileira para suas crianças, pois assim, fomenta-se a tolerância cultural desde a infância.

Você acha que vocação empreendedora foi importante para seu sucesso nos negócios?

Eu acredito que a criatividade e o espírito empreendedor do brasileiro ajuda muito a se recriar em um outro país. O brasileiro sempre está aberto para o novo, chega em outro país e trabalha em tudo um pouco, até se reafirmar no seu novo caminho.

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