Sobre Laura

Apresentamos aqui no Projeto Brempex mais uma história de inspiração e que vai servir de motivação a muitas mulheres brasileiras no exterior que buscam empreender e se reinventar. Laura Rodrigues que vive na Alemanha.

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Laura Rodrigues

ARTES VISUAIS

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No exterior
MINHA HISTÓRIA

Fale um pouco sobre você e onde vive.

Me chamo Laura Rodrigues, tenho 38 anos e sou de Goiânia. Vivo na Alemanha desde 2002. A princípio eu vivia em Freiburg, depois me mudei para Düsseldorf e agora moro em Mülheim an der Ruhr. E o que você fazia antes de vir morar na Alemanha? Iniciei meus estudos de Artes Visuais na Universidade de Brasília. Depois troquei o curso por História da Arte na Universidade de Freiburg. Foi também aí que fiz meu doutorado com o tema A recepção de Frida Kahlo na Alemanha. Por fim fiz um curso de especialização em Kulturmanagement em Neuss.

​E família?

Bem, sou casada com um alemão e temos três filhas, de 5, 3 e 1 ano. Tenho uma irmã que vive com a família em Munique. Meus outros três irmãos vivem todos no Brasil.

E por que escolheu viver na Alemanha e sair de vez do Brasil?

Saí do Brasil meio que por acaso. Minha irmã já vivia em Freiburg e eu aproveitei a oportunidade de hospedagem gratuita e vim para a Alemanha passar dois meses fazendo um curso de alemão. Acabei gostando muito da universidade de Freiburg e decidi mudar de curso. O plano era me formar e fazer um doutorado em História da Arte na Alemanha para ter melhores oportunidades de emprego no Brasil. Mas o fim do plano ficou só na teoria e acabei me decidindo por morar aqui, me casei, tive minhas filhas e voltei a trabalhar com Artes Visuais.

Como foi o início da sua vida no exterior como empreendedora? Muitas barreiras encontrou? E seus maiores desafios e expectativas?

A Alemanha oferece grandes vantagens mas também desafios para pessoas na minha situação. A maior vantagem é o acesso relativamente fácil a cursos de especialização. Por outro lado é muito difícil como mulher, mãe e estrangeira ser levada a sério no mercado profissional. ​A minha área ainda tem o agravante de ser vista por várias pessoas como um hobby. Mesmo nos dias de hoje ainda é muito arraigada a ideia de que homens que pintam são artistas, ​mas mulheres que pintam fazem terapia ocupacional. Ser estrangeira pode ser um diferencial interessante, mas sempre gera um restinho de suspeitas quanto à sua capacidade e seriedade. Por fim, a cultura e política daqui tendem a ver com bons olhos as mães que se dedicam mais à família. Mães que optam por trabalhar fora recebem críticas diretas ou indiretas e lutam com o constate problema da dificuldade de se conseguir apoio com os filhos. Você acha que vocação empreendedora foi importante pro seu sucesso nos negócios? Não sei dizer se empreendedorismo é uma vocação ou resultado de muito esforço. Eu, particularmente, considero mais confortável poder trabalhar como funcionária, mas minha situação pessoal exigiu uma outra decisão e tive que correr atrás, me especializar, aprender coisas que não são especificamente da minha área… e sobretudo, buscar ajuda, conversar com as pessoas, pedir conselhos sobre os meus problemas.

Que conselho ou dicas daria as futuras empreendedoras sobre a área em que atua, sobre como é empreender no exterior?

Na Alemanha há diversos cursos sobre empreendedorismo, a longo e a curto prazo. Os municípios organizam acessorias muito boas, que dão uma primeira noção dos riscos de se montar o próprio negócio. Acho essencial correr atrás dessas informações antes. Os alemães podem ser desanimadores na maneira direta e objetiva de enumerar os problemas, mas isso é um excelente teste para saber se o entusiasmo inicial é fogo de palha ou se temos mesmo a energia física e emocional para enfrentar o desgaste. Dosando bem a mistura entre otimismo brasileiro e sobriedade alemã acho que é possível ter um bom começo. Importante também é lembrar que elogios são bons mas as críticas é que são valiosas e fazem a gente crescer.

O que gostaria de ver melhorado no setor em que atua?

Queria que hovesse uma solução melhor para os impostos pagos por pequenos empresários na Alemanha. A carga tributária aumenta muito quando se alcança um tamanho médio e isso acaba incentivando o trabalho de meio período, criando um freio para o crescimento de profissionais autônomos, especialmente para mulheres com filhos.

Como você vê a recepção do povo nativo com relação a brasileira empreendedora?

Ser brasileiro pode ser um aspecto positivo dependendo da área em que se atua. Problemática é a imagem de um povo divertido, mas sem muita seriedade profissional. Mas é normal que existam tais clichês. Em determinadas situações eles podem ser irritantes, mas é bom não perder o bom humor e saber que não é nada mal intencionado. Ser mãe e empreendedora. Como administra? Tenho a impressão de que as crianças adoecem na Alemanha com mais frequência do que no Brasil por causa do tempo frio. É sempre muito complicado, porque toda gripezinha coloca os planos de trabalho de cabeça pra baixo. Mas aprendi a incluir esse tempo médio para doenças no meu calendário para não ter problemas com meus prazos de entrega. A organização do trabalho e da vida com as crianças é complicada sem família por perto. Mas acho também que é um problema político, de horário de aberturas de escolas e de Kitas, da falta de pessoal… Enquanto não há uma mudança nessa estrutura, a carga acaba ficando mais pesada para um dos pais.

 

Algum trabalho voluntário ou causa social?

​Apoio o projeto Kinder in Rio (www.kinderinrio.de) para o qual já organizamos uma doação fazendo uma rifa com um dos meus quadros. Também acompanho há alguns anos o Aida (www.aida-ev.net), que se engaja também por crianças necessitadas. Virenfrei. www.avast.com .

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