Sobre   Pris

Com um investimento inicial de 600 reais, essa empreendedora entrevistada de hoje pro Projeto Brempex conseguiu lucros de 100 mil reais ao ano! Saiu de um empreendimento onde vendia e passou a empreender no mundo da música, e adivinha? Emplacou um sucesso atrás do outro, o último deles com 1 MILHÃO E MEIO de views no Youtube!!! Vem com a gente conhecer a história de Priscila Elias, a brasileira mais sueca que eu já entrevistei na vida! De uma generosidade e carisma impressionantes, Priscila é uma daquelas pessoas que a gente já se identifica de cara e quer se tornar amiga pra vida inteira! Espero que vocês possam se inspirar nessa entrevista feita com bastante carinho!

Pris Elias

MUSICISTA E FOTÓGRAFA

www.youtube.com/priseliasoficial

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No exterior
MINHA HISTÓRIA

Olá! Meu nome é Priscila Elias, tenho 33 anos, sou de Dois Vizinhos (PR) mas nos últimos 15 anos em que estive no Brasil morei em Curitiba. Vim pra Europa no final de 2017, morei um ano em Dublin (Irlanda) e há 2 meses mudei para Estocolmo (Suécia).

E o que fazia antes de vir morar no exterior?

Sou formada em Relações Internacionais, mas somente estagiei na área. Ao lado de uma amiga, fundei a Vira o Disco, uma marca de roupas e loja virtual para admiradores de cinema, música e cultura pop e, com investimento de R$600,00, tivemos faturamento médio de R$100.000,00/ano durante o período em que existiu. Vendemos a marca, pois, como também sou musicista, tinha uma banda chamada Mixtape que, na época, estava despontando no cenário nacional. Como a banda estava nos tomando bastante tempo entre viagens, shows e mídia, queria me dedicar exclusivamente a ela.

A banda acabou e dei início ao meu projeto solo, o Pris Elias. Com ele, fui agenciada por Wagner Mendes, ex empresário de Edson e Hudson e emplaquei a música Vírus ( clique pra ver no Youtube) com mais de 200.000 views, e nas principais rádios pop do sul do Brasil. Na sequência, passei a trabalhar com Mr. Jam (produtor de Wanessa Camargo, empresário e dj do Festa Pan) e recentemente, tive 3 faixas na novela As Aventuras de Poliana do SBT, dentre elas, “Vaza Daqui” (clique pra ver no Youtube), que virou tema de personagem e hoje tem mais de 1.500.000 visualizações no YouTube. Sou casada e não tenho filhos, mas tenho 4 gatinhos que vieram do Brasil com a gente.

Com uma carreira tão promissora no Brasil, por que decidiu se mudar pro exterior?

Meu marido, na época namorado, trabalha na área de TI e recebeu uma proposta para trabalhar em Dublin. Eu não tinha intenção de vir pra ficar. Ele foi pra Dublin em agosto e eu fui pra lá em outubro somente para visitá-lo. Acabei gostando e decidi ir pra ficar um tempo.
No final do ano passado, recebeu uma proposta pra trabalhar em Estocolmo e viemos. Estando aqui, no momento não penso em sair. Pretendemos nos estabelecer por aqui mesmo. Me sinto em casa. Acho que sempre fui um pouco sueca e não sabia, rs. Gosto dessa coisa de precisar marcar horário pra tudo, dos encontros acontecerem mais cedo, da cultura do Fika (o sagrado encontro das pessoas pro cafezinho da tarde), de tirar o sapato pra entrar nos lugares (na minha casa sempre fizemos isso, mas não era algo comum no meu círculo de convivência), das conversas serem mais politizadas, dos shows serem mais cedo e das casas serem silenciosas.

E o que mais te desafiou, que obstáculos encontrou ao longo de sua carreira? Precisou abrir mão de muita coisa?

Sem dúvidas, o maior desafio foi recomeçar do zero. Eu tinha uma carreira artística considerada promissora no Brasil, tocava também alguns negócios ao lado da minha família e quando vim pra cá, não tinha nem direito a trabalho. Tirei minha cidadania e, apesar de ter pensado em trabalhar com música, estando há 10 anos nesse mercado, queria investir em algo que me desse retorno em curto prazo. Há muitos anos fotografava. Primeiro, precisava de fotos para os produtos que lançávamos com a Vira o Disco. Depois, com a banda e meu projeto autoral, constantemente precisava de material fotográfico para divulgação e a forma mais viável pra isso foi aprender a fazer por conta própria. Cheguei na Irlanda em setembro e em outubro decidi que trabalharia com fotografia. Passei 2 meses estudando muito! Li centenas de artigos e assisti a centenas de tutoriais para que pudesse aprender o mais rapidamente possível. Então, investi em equipamento e em janeiro já tive meus primeiros clientes. Não foi fácil. Eu não tinha amigos ou nenhuma rede de contatos.
Criei uma planilha e passei a entrar em contato com todos os estúdios fotográficos de Dublin em busca de trabalhos como segunda fotógrafa. Depois de 3 meses, já tinha alguns bons parceiros e em 7 meses as coisas já começavam a ir bem! Então mudamos pra Suécia e aqui fomos nós novamente! Recomeçar do zero. Busca por contatos, divulgação de portfólio, atualização constante de materiais em redes sociais, criação de artigos e materiais que geram interesse e acrescentam valor ao produto, estudar sueco e paciência! Trabalho de formiguinha: diário e assíduo.
Em 3 meses já estou melhor do que estava com 7 meses em Dublin. Em alguns momentos, no entanto, chorei desolada me perguntando o que é que eu estava fazendo aqui. Por que eu estava recomeçando do zero quando eu tinha tanta coisa no Brasil? O início é uma montanha russa, com mais baixos que altos. Mas, saber que altos e baixos são ciclos naturais na vida de qualquer um, me fez respeitar meus momentos de tristeza e aguardar ansiosamente pelo dia seguinte, esperançosa de que traga novas agradáveis surpresas que me façam lembrar das razões pelas quais resolvi tentar algo diferente aqui fora. Tem dado certo!

Exatamente! Passamos por tantos momentos assim, de dúvidas e questionamentos quando decidimos tentar uma vida nova fora do nosso canto, né?

Sim, verdade! Hoje sou fotógrafa profissional especializada em retratos, casamentos e eventos. O fato de ter sido fotografada por muito tempo com meus projetos musicais, me ajudaram a ter uma visão mais apurada sobre como fotografar pessoas. Para sessões de retratos e headshots, sou capaz de direcioná-las para encontrar os melhores ângulos e expressões. Para casamentos e eventos, sou rápida e discreta o bastante para capturar as melhores emoções sem ser percebida. Minhas fotos contam histórias, sejam elas parte de uma sessão de retrato, aniversário ou outros tipos de evento. Estou sempre atenta às emoções de cada momento e acho que esse é um dos meus diferenciais como fotógrafa. Adoro trabalhar com estrangeiros! Inclusive, acredito que o fato de ser brasileira, de ser mais extrovertida, conversar, rir e interagir com facilidade me ajudou MUITO a conseguir novas indicações para trabalho a partir dos primeiros que fiz. Aqui as pessoas costumam ser mais tímidas e retraídas. Para alguém que vai ser fotografado é essencial que se sinta confortável e confiante. A visão do fotógrafo e a naturalidade do fotografado é 70% da imagem, o restante é técnica. Isso me dá uma vantagem sobre uma parcela importante dos fotógrafos no mercado daqui.

Você se inspirou em algo ou alguém para começar a trabalhar no ramo da fotografia? Pensou em algum momento em desistir ou mudar de ramo?

Ainda estou iniciando aqui fora. E sem dúvidas, todos os dias encontro novos desafios. Primeiro, como comentei anteriormente, para trabalhar ou abrir sua empresa aqui fora, você precisa vir com alguma espécie de visto que te permita fazer isso, precisa investir determinada quantia que varia de acordo com cada país ou precisa ter direito à cidadania europeia. No meu caso, logo que fui para Dublin, tirei a cidadania italiana. Ainda assim, no entanto, mudar de país tem vários outros processos burocráticos que levam tempo e exigem paciência. Aqui na Suécia, por exemplo, ainda não recebi meu Personal Number, que é uma espécie de CPF/Identidade deles, necessário para tudo! Até mesmo para abrir conta bancária. Só depois desse passo, posso correr atrás da documentação para abrir empresa. Apesar de exigir paciência, com cidadania tudo fica mais fácil aqui fora. Até a minha sair, passei por bastante dificuldade toda vez que tive contato com a imigração de qualquer lugar. Com o grande número de imigrantes ilegais, meu perfil é exatamente o da grande maioria das pessoas que acaba ficando sem documentação: alguém jovem, que fala inglês e não tem nada que a prenda ao país de origem. Agora as dificuldades são outras, mas acredito que com fé e perseverança, elas não sejam grande empecilhos.

Sem dúvidas, a pessoa que mais me influenciou a empreender foi meu pai. Ele veio de família humilde, saiu da casa onde morava no interior do PR aos 15 anos pra viver em Curitiba e, mesmo diante da falta de apoio de amigos e familiares, resolveu empreender na época em que tinha conquistado um bom emprego no banco. Abriu sua empresa e um ou dois anos depois, quando começava a andar com as próprias pernas, tomou uma grande invertida e faliu. Ficou devendo muito dinheiro na época e da mesma forma que entrou em uma forte depressão, saiu, determinado a se reerguer e a não mais passar por aquilo outra vez. Hoje, tem 4 empresas bem sucedidas em Cascavel e Foz do Iguaçu. Ele foi um exemplo próximo de força, determinação e superação pra mim. Por isso me marcou tanto.

A família certamente é a base de tudo em nossa vida.
E como vê a recepção do povo sueco com relação a brasileira empreendedora?

Nunca senti preconceito com relação a minha nacionalidade fora dos aeroportos. Como disse, até adquirir minha cidadania, a imigração me deu trabalho, rs. Mas nunca por parte do público com relação ao meu trabalho. Acho sim, no entanto, que como em qualquer lugar do mundo, existe a questão de “contatos” e “bairrismos” e que, obviamente, em certos aspectos um cliente sueco tem amigos ou colegas empreendedores suecos que normalmente compartilham mais coisas em comum do que compartilharia com um empreendedor brasileiro. A língua é um primeiro ponto: se você pode trabalhar com alguém que fala sua língua, por que vai optar por trabalhar com alguém que não fala? Se você pode trabalhar com alguém que pensa parecido contigo, por que vai optar por trabalhar com alguém de uma cultura completamente diferente? É claro que isso é um generalismo. Muitas vezes essas diferenças são pontos positivos. No entanto, na maioria das vezes elas pesam.
Por isso é importante ter um trabalho consistente, com diferencial de qualidade e atendimento que faça com que o estrangeiro acredite que as diferenças sejam insignificantes diante das qualidades que você oferece ou mesmo, que suas diferenças o fazem ser melhor para ele do que um concorrente estrangeiro.
Resumindo, acredito que funcione da mesma forma que funcionaria em qualquer lugar: se tenho um negócio no Brasil, preciso pensar em quem é meu público, por quê esse público escolherá o meu produto e não algum outro qualquer no mercado e quais os motivos que poderiam levá-lo a não escolher meu produto.

Vocação e empreendedorismo: é importante ter amor pelo que faz?

Sem dúvidas. Empreender é assumir riscos. É saber que hoje você pode ganhar uma miséria e amanhã pode estar bem. Que hoje pode estar ótimo e amanhã pode enfrentar grandes desafios. É estar disposto a pensar em novas soluções para prosperar todos os dias, mesmo quando você não está bem pra isso, porque seu negócio depende de você.
É fazer hora extra muitas vezes sem receber por isso. É executar aquelas tarefas que você detesta mas que precisam ser feitas, porque seu negócio depende delas. É estar disposto a sair constantemente da rotina. Nem todo mundo gosta disso. Conheci muita gente talentosa com ideias maravilhosas que nunca quis empreender ou que o fez e faliu. Nem todo mundo gosta disso. Eu amo!

E pra terminar, que dicas pode dar para aquelas mulheres que tem um sonho e desejo de empreender e não sabem por onde começar?

​Um empreendedor tem visão, fé e perseverança. Se você tem essas qualidades, estude a fundo suas possibilidades, coloque suas ideias e projeções no papel e corra atrás de seus objetivos sem olhar para trás. A gente pode começar com muito pouco!
Como proprietária da Vira o Disco, comecei com R$600,00. Como fotógrafa, comecei com um equipamento que na época equivalia a uns R$2000,00. Como musicista, comecei gravando minhas demos em casa, com um gravador digital portátil que gravava em 8 canais. Nunca iniciei um negócio da forma “ideal”. Sempre comecei disposta a fazer o melhor dentro das possibilidades que tinha em dado momento. Não se trata de quanto se tem. Se trata de quanto se quer e se faz.

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