Sobre Tatiane

Apresentamos aqui no Projeto Brempex mais uma história de inspiração e que vai servir de motivação a muitas mulheres brasileiras no exterior que buscam empreender e se reinventar.  Tatiane Borges-Schindler que vive na Alemanha.

Tatiane Borges - Schindler

FOTÓGRAFA

https://www.tatiborges.com/

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No exterior
MINHA HISTÓRIA

Conte-nos um pouco sobre você.

Olá, meu nome é Tatiane Borges-Schindler, tenho 32 anos e nasci em Sao Joao de Meriti (Baixada Fluminense) Rio de janeiro, estou fora do Brasil há 10 anos, morei por 4 anos no centro de Munique e hoje vivo a 40 km da capital da Bavaria, numa pequena cidade que se chama Maisach. Sou técnica de enfermagem, formada pela Escola técnica privada Cetecon Kappa em Nilopólis, também na Baixada Fluminense. Atuei por pouco tempo na profissão, sempre de forma privada (pacientes particulares). Sou casada com alemão e temos duas filhas, uma na idade escolar e a outra que em breve estará por aqui (estou grávida). Minha Família vive no Brasil.

Conta pra gente como foi esse seu recomeço como profissional.

Bem, no Brasil eu me formei em Técnica de Enfermagem, mas sempre trabalhei com vendas e gerenciamento de equipes.​Então, após me casar, consegui um emprego no laboratório de Patologia, trabalhei por 7 anos no setor de microbacteriologia, e lá atuava como preparadora de Análises Clínicas. Foi um tempo muito bom, trabalhei com um contrato de mini Job, o que foi ótimo para mim, como meu primeiro emprego sem falar alemão direito, foi um grande passo ter um pequena independência financeira e também tinha a flexibilidade de me dedicar a outras atividades, já que o trabalho era de apenas 2x na semana.
Esse trabalho, que para alguns pode parecer muito pouco em termos financeiros, foi o que me possibilitou a ser quem eu sou hoje. Uma pequena empreendedora no ramo da Fotografia. Foi desse mini Job e com o apoio do marido que consegui investir na minha carreira com fotografia. O que para muita gente parece ser uma profissão muito fácil (ser fotógrafa), mas é aí que nos enganamos! Entrar no ramo da Fotografia é um trabalho que requer muita persistência, muito investimento financeiro, dedicação a aprender e muita responsabilidade.

Eu decidi trabalhar por conta própria e ser “Selbständing”, que em português é ser “Autônoma”. Acreditei em mim mesma e no meu potencial, não fiz nenhum curso (presencial) de fotografia aqui, iniciei os meus estudos pela internet com matérias disponíveis gratuitamente e ‘a medida em que fui evoluindo, fui buscar novas experiências com cursos online, WS específicos, Congressos e muito networking com outros profissionais. Minha especialização foi feita no Brasil com profissionais que admiro e que me inspiram. Quando adquiri o conhecimento necessário e tinha certeza da área que quero atuar, foi o grande passo para abrir a nossa pequena empresa de Fotografia, e foi quando senti realmente que essa era a entrada para o mercado, com profissionalismo. E em 2013 fundamos a Tati Borges-Schindler Fotografie.
Sou especializada em fotografia de casamento, com conceito no Jornalismo/Documental e com fotografia de família com conceito Lifestyle (o registro do estilo de vida, de forma leve, criativa). Apesar da nossa pequena empresa (Kleinunternehmer) atender 90% os noivos alemães hoje, consideramos a nossa pequena empresa multicultural, pois atendemos diversas nacionalidades (Italianos, brasileiros, russos, entre outros).

E quais foram e tem sido seus maiores desafios como empreendedora?

​Como mencionei acima, muitas pessoas se enganam quando acham que Fotografia é um empreendimento fácil, basta ter uma câmera e alguns contatos, e pronto! Vamos prosperar de vento em popa. Só que na prática não é bem assim, ainda mais quando se quer entrar no mercado local, ou seja no mercado alemão.
Tem muitas barreiras a ser rompidas, uma delas é o idioma, depois vem a questão cultural e aí nos deparamos com uma cultura bem diferente da nossa, onde tudo é motivo para se comemorar com muitos flash. Que não é o caso aqui.
E sabia que teria que me adaptar a essa cultura tão diferenciada. Quando comecei com a fotografia, achei que iria “bombar” com o meu estilo diferenciado, com fotografias mais simples, mais rica em detalhes e etc, essa era a expectativa que tive. Porém, não foi bem assim que aconteceu. No início, o nosso trabalho era voltado para famílias brasileiras, e com o tempo nos sentimos de certa forma um pouco limitados quando trabalhamos apenas para um grupo seleto, afinal de contas estamos na Alemanha e se queremos que o nosso negócio cresça, precisamos trabalhar para alcançar esse público que é maioria (alemães).
E foi assim que começamos a querer mudar essa nossa realidade. Começamos a planejar como faríamos para que os alemães sentissem interesse pelo que fazemos, já que o mercado de fotografia, principalmente de casamento, é bem concorrido. Eu não tinha contato com alemães (além do meu marido, claro). Ficamos um bom tempo pensando em como iria atrair esse público para uma desconhecida, estrangeira e que não domina o idioma. Um dia, tive um “feeling” sobre o casamento, afinal de contas alemães também se casam e comemoram, e logo talvez desejem fotos bonitas que eternizem esse dia. E foi nesse ponto de partida que comecei a pesquisar sobre o mercado de casamento, o que precisava fazer pra atrair a atenção desse público. Na verdade, não encontrei nada de especial na internet, nenhuma fórmula milagrosa. O que resolvemos fazer foi recorrer a nossa companheira diária, a nossa Intuição, começamos a escutar a nossa intuição e acreditando sempre que tudo que fizéssemos daria certo, e comecei a pesquisar outros colegas e ver o que poderiam acrescentar além do meu olhar. E me coloquei muitas vezes no lugar de noiva.

E assim fomos planejando e ao mesmo tempo, comecei a investir em qualidade através de equipamentos, de produtos, portfolio, inovação, entre outras coisas. E quando estávamos com uma estrutura visual (site) sólida e entre outras coisas, começamos a receber os nosso primeiros casais alemães, que vieram através de buscas orgânicas do Google (onde investimos bastante também).
Os 3 primeiros anos foram de muitas noites em claro, de muitos erros e acertos, de investimento que não deram certo, do “Finanzamt” no nosso pé, para que o nosso negócio começasse a dar lucro, muitas vezes me desanimei, mas hoje podemos dizer que com persistência e paciência as coisas fluem, não na velocidade que gostaríamos, mas no tempo que precisa ser. E hoje estamos felizes com os resultados obtidos.
Mas gerenciar o seu próprio negócio é um trabalho diário, captar clientes, manter uma agenda saudável para que o seu negócio continue prosperando, e ‘as vezes devagarinho, mas no ritmo que precisa ser, não é uma tarefa fácil!

E hoje, como o seu serviço é visto no mercado internacional?

Graças a Deus, o nosso serviço é visto de forma positiva tanto aqui na Alemanha como em alguns outros países, como Áustria e Suíça, já que temos procura de casais desses países também. Claro que ter o seu nome reconhecido uma vez faz toda a diferença e por alguns parceiros de peso, como é o Zankyou Weddings e outros portais voltados para o universo do casamento faz muita diferença, ajuda a trazer credibilidade no que fazemos, e sem falar do profissionalismo. Porque ter o nome da sua empresa listada como uma das melhores de Munique por um dos mais famosos portais de casamento aqui na Alemanha e internacionalmente, sem dúvida, foi a chave para ter o nosso negócio definitivamente no mercado alemão. Como mencionei antes, ter o seu próprio negócio no exterior envolve muitos desafios, e obrigações burocráticas também.
Por isso se informe antes com os órgãos competentes da sua cidade e tente conversar com outros colegas de profissão para ter uma ideia do mercado. Além do básico, que é se dedicar 100% naquilo que você faz, tais coisas como aprendizado, estudar e estudar, saber o que está fazendo, aonde que chegar, fazer com que sua arte se comunique de alguma forma com o seu público alvo e possuir uma fluência no idioma local, é o primeiro passo. Mas o mais importante é ser você mesma, acreditar no seu potencial e acreditar que tudo que tu fores fazer dará certo.
Uma dica de ouro: conheça o seu público alvo, trace objetivos/metas. Mais uma dica de ouro: Pra saber se o seu negócio vai na direção que você planejou, se está se comunicando da maneira que gostaria, nada melhor do que obter os feedback dos seus clientes, principalmente os clientes que vieram de forma orgânica (que te encontraram por aí, sem ter sido indicado por alguém). Claro, terá desafios a ser superados? Sim, terá. Mas faz parte da evolução. Sem eles, não seremos capazes de alcançar o que desejamos. Acredite: tirar um tempinho para refletir, olhar para trás faz uma diferença muito grande quando, principalmente, estamos em buscas de respostas.

E a burocracia, existe?

Falando especificamente sobre os casamentos, que é área em que atuo,
Vejo uma certa dificuldade em relação ao planejamento que os noivos fazem e a estrutura das locações. Muitas vezes os casamentos não tem uma boa organização, o que me faz muitas vezes a fazer outras funções como por exemplo de um cerimonialista.
Acho que seria muito importante a presença de uma pessoa profissional para dar uma assessoria durante o casamento, algo que é muito comum no Brasil. Quem sabe um dia conseguirei mudar isso aqui.

Algum tipo de preconceito ou rejeição ao seu trabalho?

Sobre esse tema, não tenho muito o que falar. Sempre fui muito bem recebida e não vejo que eles me olham com um olhar duvidoso.
Algumas pessoas ficam surpresas que eu trabalho por conta própria e que estou conquistando o meu espaço por aqui. Até mesmo para eles não é uma tarefa fácil empreender, imagina pra estrangeira. Então sempre vejo um olhar de admiração e respeito.
Tanto na época em que trabalhei no laboratório também sempre fui muito respeitada e nunca senti qualquer tipo de preconceito, e o mesmo acontece na fotografia. Nunca senti que deixei de fechar um contrato por ser brasileira, negra e por falar não muito bem o alemão (ainda). Vejo que eles olham muito mais para a minha capacidade em exercer minha profissão. E muitos se surpreendem por eu ter um trabalho assim em tão pouco tempo (na fotografia) e produzir imagens que tocam o coração.
E de uma certa forma, eles acabam tendo uma outra visão de nós brasileiras e vamos aos poucos desconstruindo a imagem negativa que infelizmente ainda temos em diversos lugares do mundo. Mas tenho certeza que estamos conseguindo mudar isso.

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