Sobre Tatiane

Entrevista com Tatiane Domingos-Bungardt, administradora da rede de hotéis GSH, na Alemanha Ser mulher e empreendedora no exterior não é tarefa das mais fáceis. Muitas de vocês certamente concordam comigo. Agora, imagina ser mulher, empreendedora e mãe de 3 filhos, sendo dois deles gêmeos, de apenas 2 meses! A responsabilidade com certeza triplica pra quem é mãe e empreende, principalmente no mercado da Hotelaria, como é o caso da Tatiana, uma das referências na Alemanha!

No exterior
MINHA HISTÓRIA

Tatiane, fale um pouco sobre você e o que fazia antes de vir morar no exterior.

Olá, meu nome é Tatiane Domingos-Bungardt, nascida em 26.06.1980, paulistana e vivo há 15 anos no sul da Alemanha, nos arredores de Stuttgart. Sou formada em Administração de Empresas com ênfase em Comércio Exterior, pela Universidade Paulista, e trabalhei desde a época do meu estágio na empresa Jones Lang Lasalle, na área financeira, até vir para a Alemanha.

Conte-nos um pouco sobre sua família.

Já fui casada com outro alemão, onde o relacionamento era egoísta e os caminhos não eram paralelos. Hoje sou casada com uma pessoa super especial e que é hoteleiro como eu, aliás um exemplo na área hoteleira. Temos 3 filhos maravilhosos: Alissia, de 4 anos, e os gêmeos Lucca e Carlo, de 2 meses.
Venho de uma família de classe média e muito batalhadora. Meus pais, Cleudeci, 64 anos e Suely, 62 anos eram empreendedores na capital paulista com um grande depósito de materiais na área nobre de São Paulo.
Hoje, eles aproveitam a vida de aposentados fora do movimento absurdo de São Paulo.
Minhas irmãs Elisabete, de 43 anos, trabalha na gerência de vendas em uma multinacional e Lucélia, de 41 anos, trabalha na área financeira e se dedica nas horas vagas com muito amor decorando festas.

E qual foi o motivo de ter escolhido a Alemanha para viver?

Eu conheci meu ex-marido no Brasil, que era estudante na época. Como ele estaria voltando para a Alemanha, após concluir seu estágio no Brasil, decidimos que o país que iríamos viver, seria aqui. Antes disso, já tinha vindo algumas vezes passear e conhecer essa cultura fascinante e super disciplinada.

Com tanto tempo de vivência no exterior, o que mais te desafiou ao longo de sua carreira? Precisou abrir mão de muita coisa?

Bom, acredito que a maioria das pessoas que chegam aqui enfrentam vários desafios. O primeiro certamente é o da língua. Eu já falava inglês, o que facilitou a imersão no idioma alemão, porém tive as dificuldades que aparecem no decorrer da vivência.
Claro que acreditava poder continuar exercendo minha profissão na mesma área. Depois de receber apenas respostas negativas das empresas e dos bancos que eu me candidatava, decidi, então, tomar outro rumo na minha própria trajetória. O primeiro passo foi dado, quando a IHK (Câmâra do Comércio) me indicou igualar meu diploma com o processo alemão, que seria estudar mais 2 anos para trabalhar na minha área ou começar do “zero” em uma nova profissão, que estava crescendo muito na época. E eu me decidi pelo segundo caminho. Me encorajei e comecei o curso de Hotelaria, que teve duração de 3 anos.
Depois de me formar aqui com 28 anos, trabalhei e passei por todos os obstáculos para conquistar o cargo mais alto dentro de um hotel, de administradora e para uma das redes mais renomadas internacionalmente.
Logo após, senti necessidade de passar meus conhecimentos para estudantes da área de hotelaria, onde auxilio a Câmara do Comércio com treinamentos, palestras e faço parte da Comissão de análise de provas finais. Hoje faço parte do grupo de administradores da rede hoteleira que mais se expande na Alemanha: GSH – Gorgeous Smiling Hotels, sendo diretamente responsável por dois hotéis na região de Stuttgart, o Mercure Hotel, em Böblingen-Hulb, e Arthotel ANA Living. Fora isso, estou trabalhando na minha empresa, que fundei desde o ano passado, onde auxiliarei pessoas que necessitam de apoio relacionado ao idioma alemão, traduções pessoais, acompanhamento em prefeituras e departamentos do estado, solicitações de documentos, ou seja, um serviço de assessoria para quem chega na Alemanha e também não sabe por onde começar e ainda não domina o idioma. Isso sempre foi meu sonho e que finalmente está saindo do papel.

E como foi recomeçar a sua vida no exterior como empreendedora? Se inspirou em algo ou alguém para começar a empreender? Pensou algum momento em desistir ou mudar de ramo?

A minha maior inspiração foi meu marido, que também vem do ramo hoteleiro, como eu. Ele sempre me incentivou e me apoiou em todas as decisões que tomei, mesmo sabendo que este não era o caminho que ele prosseguiria. Enfim, aprendi muito nesses anos de vivência no exterior. Aprendi que para crescer, temos que viver como eles, não deixando de lado a nossa essência.
Eu sempre acreditei que, quando temos nossos sonhos, temos que seguir independente de qual país e em qual cultura vivemos.
Hoje, sou muito feliz, por ter tomado o caminho que segui, porém nunca paramos de aprender; isso será sempre contínuo e isso eu adoro aqui, essa oportunidade de aprender, sem custos altos como em nosso país.

E a recepção do povo nativo com relação a brasileira empreendedora: como foi se readaptar a esse tipo de público?

Eu tive a sorte de encontrar pessoas boas no meu caminho e alemães de mente super aberta, o que me ajudou muito na integração e adaptação na Alemanha.
O preconceito não existiu, acredito que isso acontece muitas vezes em nossas cabeças. Isso depende, acredito eu, de onde e como queremos chegar e também como nos apresentamos. Eu nunca me apeguei a esse tipo de pensamento, já que fui preparada em casa, para passar por todos os desafios que a vida nos proporciona.

Ser mãe de 3 e trabalhar: como consegue conciliar?

Realmente, não é fácil. Digamos que sou uma “workaholic”, amo meu trabalho, porém me decidi também ser mãe e ter minha família. Minha famíia precisa de mim, como preciso muito deles, mas não abriria mão do meu trabalho e dos meus sonhos. Quando nos focamos, conseguimos conciliar todos os compromissos. Claro que não estou nessa sozinha. Agora mesmo, com o nascimento dos gêmeos, conto com o auxílio dos meus pais, que ficarão aqui um bom tempo com a gente, meu marido é super companheiro e faz muita coisa em casa e com os filhos, temos uma pessoa querida que nos ajuda com a limpeza de casa, e no verão, estaremos recebendo a nossa primeira Au Pair das Filipinas, que ficará um ano com a gente, ou seja, nunca conseguiria sozinha e sou grata por toda a ajuda que recebo.

Na sua opinião, existe alguma relação entre vocação e empreendedorismo?

 

Ou seja, ter amor pelo que faz proporciona realização pessoal e profissional?

Com certeza, em tudo o que fazemos, temos que aplicar a dose mágica chamada amor. Tanto no profissional, quanto no pessoal, se não houver amor, nada tem sentido, nada sai perfeito e automaticamente você não obtém o sucesso almejado.
E foi, na hotelaria, que descobri o verdadeiro amor da profissão. Não imaginava, quando cheguei aqui, que poderia um dia mudar de profissão e hoje não me imagino um segundo sequer, estar voltando a exercer, o que fazia no passado. Sou grata pelo caminho que Deus fez com que eu traçasse.

E que dicas poderia dar para aquelas mulheres que tem um sonho e desejo de empreender e não sabem por onde começar?

Todas vocês, que pretendem empreender ou trabalhar em uma determinada área, faça um planejamento. É muito importante conhecer a cultura do país, ler muito sobre a profissão, saber o idioma fluentemente, lidar com a burocracia e jamais desistir quando algo der errado – JAMAIS!
Tenham profissionais competentes ao seu lado, busque assessoria se não entende de alguma parte e claro, precisando, me contrate que atenderia com carinho.

Você que gostaria de saber mais sobre o mundo hoteleiro clique nos links:

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